31.3.15

alcachofra

que toda ternura perdure
que todo coração se oriente

que toda paz se manifeste
que todo coração desabotoe


21.3.15

nota

_..._ O caos e a destruição também fazem parte do ser. É preciso estar vigilante pra entender a manifestação dessas forças e saber lidar com elas. Negar o lado negativo não é o caminho da sabedoria, mas sim compreendê-lo. Transformar, transcender.

22.1.15

banhado do peito.

por aqui tirando a poeira acumulada e que virou lama no banhado do peito.

                                é gosto de lama e liberdade o que sinto e quero sentir. [é nanã]
                                tudo e nada estão por vir.

é quando a gente aceita e enxerga o grão de areia como semelhança, é quando a gente entende, finalmente, o que é curso.

                                        é largar a barra da saia do mundo e sentir as mãos tocarem sopros, se afetarem por profundezas, beijar a nossa brenha, reconhecer do que realmente somos

e achar que uma hora de tão grande e bonito, imenso e pequeno no mesmo instante,
                                                     vai saltitar do peito e virar fita colorida.
                                                   
                                                     



21.1.15

coração amarelo e água

sementinha eu, vim compreendendo que a vida é caminho torto, amargoso e doce. a gente aprende tanto se esfolando e pegando gosto pelas dúvidas. é um gesto de compaixão do universo: nos dá um coração amarelo cheinho de interrogações.

nelas é que apontam as antenas do vazio e do cheio e também do pela metade. incontável movimento.

ondas que pulam, balançam, entrelaçam. no limite do indizível.
                                         bambeando e perigando,
                                         tombando e aprendendo a firmar bulbo e raiz 
                                         beijando o vento, gozando com ele a sabedoria de águas

20.1.15

miração


meus cabelinhos de graveto me ajudam a cantar para araras: juntou o entardecer com o amanhecer numa coisa só. tudo virou encanto. elas vieram em bando voando ao meu chamado e o céu ficou prateado, lusco-fusco e iluminado. um vento leve acompanhou toda a cena, minha irmã do lado. coelhos, lobos e hienas se juntaram ao bando que se formou na costa do rio. o capim e as árvores respirando ao mesmo tempo com o todo. permaneci cantando pra existir o que senti. sonho de encantaria fica coagente.

14.1.15

folha

sou folhagens, mato seco
minhas rugas formam raízes e são nervuras das folhas
viscosas, verdolentas. substâncias que correm pelos sulcos

                                                                  me lançam forte para terra e para o mar
                                                                  para o vento e para o fogo mais braseiro



             mãe que me alimenta, quero pousar em tuas cordilheiras,
                                                            comer teus frutos na névoa da alvorada

             andar descalça por tuas cachoeiras
                                     descansar matreira, na dança de teus seres noturnos




6.1.15

'guerra dentro da gente'

a lua carregou consigo todos os olhares da noite,
os sorrisos tirou de traz de seus cabelos, as lágrimas ela descobriu em árvores

as aflições e infinitudes dela se fundiram comigo e partiram sem rumo
quase desatinadas, procurando terra boa.

comunguei um self inédito de mundo-liberdade. tive medo_espanto. ego. uma guerra se fez dentro da gente. aterrizei junto ao guerreiro e sua saia.
espada.escudo.lutei.

em toda parte do todo ainda não me caibo. ainda.
a lua foi.
eu fico aqui, me recupero dos socos da noite
procurando terra boa.

17.12.14

[ o l h o s ]

poros, pele, pelos, pentelhos. navego-te, descubro ruazinhas, pontezinhas-cicatrizes. vês que me fazes pensar o caminho inteiro do mundo? vês que meus olhos afundam na tua boca carnuda? os meus nos teus, embrenham-se nas tuas meninas
querendo despir-te para um baquete de almas.

26.11.14

olhar pássaro

teu olhar pássaro me espreita,
                    espreme, expande, derrete


     me verte,
                     líquida.
                                    fluo.



14.11.14

coruja: serzinho-madeira

a luz da minha vida atravessou indefinitudes
e te achou na beira de um rio sem margens
                             no galope de gentis nevoeiros
                                                              no hálito do anoitecer
                         
                                [coruja, líquens, camuflagem-pedra, serzinho-madeira.

                 

3.11.14

águas do mundo

o sol morenou os olhos da sabiá. sinal do tempo pra cantadora cantá. 
sinal das águas do mundo vem.
dentro do pingo da noite a laranjeira respira. 
as estrelas se lambem de alegria. 
vem de dentro.


1.10.14

meu coração encontrou o teu na curva mais doce da estrada.

meu coração encontrou o teu na curva mais doce da estrada. 
daqui movemos nossos pés e mentes, mentes e espíritos - ainda que inevitavelmente separados -  sintonizados e ligados por um fio mágico e encantado. 
                                                                                                                                                                  a vida agora nos potencializa. que seja assim. 
que dure o tempo sábio, na curva mais doce e móvel da estrada. 

                                                              [venha comigo beber água serenada.

30.9.14

hoje

o meu espanto aponta minha desconstrução.
partícula por partícula, caio-me.
transmuto, transformo. emudeço.
mover-se será sempre o próximo ato.

5.9.14

eu me árvore.

salta-me pela boca, pela árvore do meu estômago, pelas folhas-orelhas,
um tipo de alegria e prosa.
tenho xilema e floema, entendo-me planta-bicho. 
posso tocar em estrelas e atrás delas, transo-me com o todo.
ao redor e dentro,
                                                 uma.

20.8.14

in.

tenho um coração bobo.
dentro dele três palhacinhas azuis,
um raminho de flores miudinhas
e uma estradinha com nome de bolinho de chuva.




18.8.14

sobre flutuar

feito perfume de manjericão, cheiro de madeira lascada. te quero por dentro de céus e peixes. pelo topo da luz do sol te quero. por dentro de mar e pássaros. pelo que já sei, flutuo.

4.8.14

latente

na rua há mais de mês.
atarantada observando os rios atarefados de água, rindo dos reis do futuro.
 prestar atenção nos ritmos é assim bom.
aquietar pra ajeitar mesmos, diluir nuncas, examinar sempres.
percebe-se que as nuvens são a expressão latente do infinito.
efêmeros são os ecos do cachorro.



25.7.14

quase

então se eu desabasse sobre a tua pele,
dali visse sem demora que serventia de explicação não chega à galope...
entre tanto, entretanto, estamos em estado de quase

sustentasse então que o que sinto de longe é
desde o osso os rumores do meu coração sobre o teu
- do teu sobre o meu -,
imaginando encontro atrás da porta do universo

aprendesse, portanto, não vacilar na espera
ainda assim acredito que tudo faz vez pra esticar o mundo
e nós dentro.
hora que é, sempre chega.



19.7.14

mês que vem é um mês que eu sempre tive.

quando os olhos perfuraram a fumaça da noite, quando as mãos sentiram o brilho da bruma, ela pode ver que estava lá novamente. a criança em chamas. fogo, ar, luz.
e também ágüinha.
algum quando se funde vira brasa e se vira carvão dá pra virar palavra escrita de negro na soleira. janela marronzinha, falada de pretume.
eu daqui tenho chão, pó, poeira. sorriso-me. lambuza.