quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Maria, do Tião
Maria bastava para Tião que não era o bastante para Maria. Eram uma assimetria. Um chimia, outro pão. Um se ria, outro não. Se bastava Tião, se ia Maria. Só ela percebia. Como se bastante fosse o não bastar agridoce do seu amor vacilão.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Cultura de selos

"Girl, tem um selo pra você lá no Lexotan".
Esse foi o recado da Lu, a pensadora do entorpecente blog Lexotan... E eu descobrindo que existe a cultura de selos em blogs! Adorei Lu, valeu!
Para dar continuidade aos selos devo aqui indicar 10 blogs supimpas que muito gosto de ler e citar cinco coisas divertidas das quais eu muito goste.
Os Blogs:
Blog do Hélvio - é dele, um historiador. ponto.
Deslize Casual - da jornalista Ana Loca
Di-Vagá - do jornalista Guilherme Custódio
Impressões Digitais - do Rodrigo o poeta Scaliant
Micropólis - da jornalista e escritora Marília Kubota
Pauta que Pariu! - da jornalista Polak, mãe do lindo Marco Antônio
Pipoca e Coca Cola - da Paula Fernandes que ama ser jornalista
Retalhos - da inventiva Scheylinha
é doce - da Fran flor de bom-bom
Sui Generis - do historiador detetive Xico
Sui Generis - do historiador detetive Xico
As coisas:
espirrar
língua de vaca
si menor
cheiro de salsinha
coração batucando
ps: todos os blogs que forem indicados devem fazer o mesmo
(é isso né Lu?)
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Assombro

Confiava na sua sombra: se sempre se mexesse era um sinal seguro de que ainda vinha viva. Não tirava o olho dela nem para ir à missa de terça-quarta-quinta. Assim, a cada prenúncio de noite morava o desespero que não morria. De não saber se ainda viva estava e era por isso que passava o tempo inteiro da noturna sorte num sono profundo. E era por isso aliás que rezava para o sol nascer direito. Quando da angústia de não ver o rastro efêmero do seu corpo marcado de dúvidas no chão, nas paredes, em qualquer canto que fosse, lequiava os próprios dedos num gesto corrido para espantar o calor que envadia à socos a cara envelhecida. Enquanto, enquanto, enquanto. Era tudo que cabia na vigia da sombra, perseguida com o canto policial do olho mais novo. "Deus-me-livre ela morra que eu morro também de tanto-quanto", resmungava para as bandas do céu de cinco núvens já da tarde. Bem no dia mais em sol e em si do ano estancou de tanto espanto e caiu torta na porta, enfartando.
Ps: Texto criado nas tranquilas férias de julho (22/07/09), bem do meu gosto, bem no meio do mato e bem humorado. Estava esperando a contribuição de um amigo para ser publicado. A ilustração é do super, supimpa e publicitário, Douglas Menegazzi (Doug).
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Sismógrafo
Sinto que os ossos do vento solar sempre me equilibram quando eu dobro uma e outra esquina. Percebo apenas com o canto do olho e dou mais um passo bem ao gosto das pessoas que não impelem o esquisito, que não deixam de falar alto consigo mesmas na rua apinhada de andantes e nem gentes. Bem ao gosto dos que cantarinam nas calçadas mesmo sós. Mesmo nó-na-garganta. Dificíl está sendo entender esses dias que parece que o que devo fazer é o que sempre fiz, mas não do mesmo jeito. Difícil mesmo é se deparar com um burburinho doce na mente que balança dentro de um continente lotado de ideias dúbias, emque a probabilidade de um terremoto ignora a Escala Richter.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Pensamento perambulante
Um olhar perdido nunca na verdade está perdido. Ele encontra-se com um pensamento perambulante e sai dançando na cabeça das horas. É por isso que estalar os dedos no auge da bailarinação trôpega de imaginativas estórias assassina quatro-cinco devaneios que não chegam a tempo de pular para o lado de fora, quase que parecendo esquisitisse, meio que algo assim, tam-tam. Se vai assim-como, com um sorriso ladeante nos lábios, compondo a feição menos harmoniosa que o rosto consegue chegar.
terça-feira, 21 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Lembrança de hortelã...
Ontem o breve lembrar do gosto-cheiro de bala de menta me embriagou as noções. Parece que voltei na criança cheia de "porque isso?, quero aquilo!, vamos brincar de pique-esconde?, eu vi um sapo rosa-choque cum cabelo amarelo-miojo, olhando do poço pra mim!". Tudo junto com a minha mãe ao redor do fogão à lenha mexendo a polenta para poder alimentar os pensamentos daquela criança de bruços no soalho, pedindo para que a mãe meticulosamente cuspisse com o dedo letras no ar. Letras ainda não alfabéticas, tão tortas e, sem saber como, corretas no seu jeito de nascer e desembrutecer o mundo. Eram as primeiras letras da vida inteira da criança que com um breve gosto de bala de menta na boca pensa agora feita. E vai se fazendo sempre, feito frase com três pontos de nunca-fim...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
História sem fim
Nasci num dia desses empoeirado de sol. Nasci mesmo meio sem data para acontecer, como quem nasce e vai sendo. Meu primeiro berço era todo pardo, escrito alguma coisa como "cuidado frágil". O primeiro chinelo ganhei já com três números sobrando pelos contornos do pé. Usei até meu pé ficar pelo menos dois dedos maior que o calçado. Ganhei outro quando começei a ir para a escola. Entre a aula da manhã e o pensamento na sopa de cenoura, sempre fiquei com a sopa de cenoura.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Coisa de segundos
Olhos túmulos e frescos diante da flor amarela. Pensamentos cítricos que a levavam desde cedo aos mares noturnos indicando sorrateiramente toda a existência contida naquelas coisas realmente vivas. Assim ela despia-se das ruazinhas enganosas do pensamento e seguia num rumo torto, tentando cheirar mais uma vez o limão desmaduro quase bem verde. Coisa de segundos, mas era "uma forma de dar um susto em seus sentidos molengos", viajava parada enquanto tilintava os dedos. Na boca super-salivada uma canção suave, melancolisada pelo momento. Sentia. E assim ia, na flor cor de ovo e na fruta verdolenga crítica, mais um acontecimento do dia.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Vou te contar
e a vida vasa mesmo, hoje pelos dedos da imaginação. vamos sair para absurdar o mundo e plantar um musgo poético no jardim do vizinho. as coisas caladas e sem cores ficam abatidas feito chapéu de palha abandonado. sem adjetivo que o deixe risonho, não há alma que o queira pôr na cabeça. vamos tomar um chá azul, porque o preto é muito fúnebre. ontem e depois de amanhã. e te conto o que andei pensando sobre eu e você. vamos seguir neste vasto-tudo ouvindo e fabricando música boa, com um copo vermelho maísculo. naquele compasso amiudado. e te enfeito de quixote na estrada. e te conto que o elo tem um pedaço com cheiro de amora bem no meio do caminho em que eu encontrei teu olho castanho. e a tua camisa vermelha de botão bem velha.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Guarda-manga e o pé de chuva
Pé de manga na hora da chuva salva da gripe, do banho e do ranho. É o guarda-manga contra o pé de chuva que caiu ind'agorinha. Vou m'embora nadar no vento cá de dentro antes que o delírio me banhe. Tchau chuva... Você caiu como uma jaca quando enfiei o pé na luva!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Josué
Vinha pela ladeira. Vinha alado. Amava. Tudo era diverso, todos tinham um verbo na ponta da fala, no berço da língua senhora. Sorria. A cor azul, a lembrança, a andança. Amarelo-Peixe. Verde-Cana. Josué não me engana, ama. Pluritotalmente abraça e beija: o cego, a desvalida, o comandante, a muié, o roxo piá. O que mais vier, porque ele é vasto. Se mais fossem vastos, amavam sem menos. Assim é. Que conhecer é o custo, mas às vezes tem que se pôr gosto. Que só assim Josué descansa na ladeira. E tanto. E quanto.
No vira mundo do pensá Josué tornou criadô. Uma lei foi o que ele deu. E mandô pro povo. "Dizê o quê minha fulô, o povo num vê que todos que têm aí é pra viver tumém". E bem. Um véio, uma negra. Um gordo, um sem-pé... Tudo mesmo o que tinha botou lá na mão da lei para que tudinho amassem e tanto e quanto pudessem amados fossem.
Pronto. Tudo mundo agora é gente. Pode ser. Agora na terra de Josué, tudo era alado. Que voavam. Que sonhavam. Que livres e rosas todos eram. Preto bom, moça faceira. Menino e o namorado; um sorvete com tom. Essas coisas de gente. Livre gente. Uma lei precisô. Só ficava triste Josué assim. Pensando lei é forçosa por demais. Gostoso e bom fosse o costume da gente. Gente com gente fica tudo azul. Passarinho berra afinado.
Foi-se o ano feito pudim de pêsco. Acabou logo. Lei num guentô. Que o povo inda segurou as mudanças e as diversas cores. E as nuanças. Vinha pela ladeira. Ainda amava. Josué não me engana, trama. "Lei num adiantô, costume atrasô, vou ser quem sô". Ele foi quem sabia. Que assim mostrou a ladeira pequena: cabia mais gentes. Que tinha zóio virado pra ele. Atentando e desenhando e pensamentando: "quero ser Josué quando que eu engrandecê".
No vira mundo do pensá Josué tornou criadô. Uma lei foi o que ele deu. E mandô pro povo. "Dizê o quê minha fulô, o povo num vê que todos que têm aí é pra viver tumém". E bem. Um véio, uma negra. Um gordo, um sem-pé... Tudo mesmo o que tinha botou lá na mão da lei para que tudinho amassem e tanto e quanto pudessem amados fossem.
Pronto. Tudo mundo agora é gente. Pode ser. Agora na terra de Josué, tudo era alado. Que voavam. Que sonhavam. Que livres e rosas todos eram. Preto bom, moça faceira. Menino e o namorado; um sorvete com tom. Essas coisas de gente. Livre gente. Uma lei precisô. Só ficava triste Josué assim. Pensando lei é forçosa por demais. Gostoso e bom fosse o costume da gente. Gente com gente fica tudo azul. Passarinho berra afinado.
Foi-se o ano feito pudim de pêsco. Acabou logo. Lei num guentô. Que o povo inda segurou as mudanças e as diversas cores. E as nuanças. Vinha pela ladeira. Ainda amava. Josué não me engana, trama. "Lei num adiantô, costume atrasô, vou ser quem sô". Ele foi quem sabia. Que assim mostrou a ladeira pequena: cabia mais gentes. Que tinha zóio virado pra ele. Atentando e desenhando e pensamentando: "quero ser Josué quando que eu engrandecê".
terça-feira, 14 de abril de 2009
24hrs
Debaixo do mendigo dorme a rua. Sono lento, pensa vento, come chão. Buraco na boca de lobo do estômago na conversão à espreita do meio fel. Meio frio. Pé cru no papel jornal. Meio fino de mais a mais. Dorme e silencia 24 senhoras por dia. Moeda pinga na contra-mão. Sai um café pequeno, menina torta quebra outra esquina. Sinal verde de maduro e o tempo vai ali sempre pela metade do meio-dia. Moeda re-pinga na mão dupla. Ri, só dente. Pensa "pronto", come pão. Já vai tarde. amanhã tem mais. fom-fom.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Beleza de retrato
Enfim pintou o auto-retrato para enviar no envelope de pano verde, comprado com carinho na grande liquidação de envelopes do ano. Da preocupação com o belo, achou que deveria super valorizar a realidade de seu rosto canhoto, cheio de manchas vermelhas lembrando o mapa de uma pitoresca ilha - ilha desconhecida por sinal; e de seu nariz feioso, pendurado no meio da cara demasiado oblonga. E se as orelhas ganhassem formas redondas e retangulasse o queixo disforme ainda ganharia uns pontinhos. E naqueles olhos de borboleta infeliz, também poderia dar um jeito, outro brilho. E assim o retrato se fez todo beleza, e desenhou-se todo bonito para conquistar o homem amado.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A coisa em si não é exatamente o que é
Biscoito sortido tem gosto de farinha velha. Nunca comi farinha velha, mas biscoito sortido já.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Segunda-feira
Parei de odiar segundas-feiras. Sim, a mim agora são indiferentes. Se antes as odiava por seu cárater infastiante de ter que começar a semana novamente, agora entendi o seu quê. O mais forte prenúncio de que ela viria era que o "fantástico acontecimento social", o domingo, ia embora sempre tristonhamente, com cara de pedinte. Sim, a morte de cada domingo era o nascimento de cada segunda-feira. Pois que morram e nasçam os dias sem ordem impressa que hoje é dia de vadiar.
[Segunda-feira, 09/02/09]
[Segunda-feira, 09/02/09]
sábado, 7 de fevereiro de 2009
O Mito da Maçaneta
Sinto necessidade de escrever. Sobre maçanetas, moças que andam desinteressadas pelas ruas pensando em amores em vários tempos verbais, sobre um não-sei-quê que rodeia a mente há alguns idos. Se há textos que nos catucam a existência, que se faça algo para deixá-la sóbria dentro de nós antes que um elefante passe por cima e nunca se tenha a chance de saber como ela é, por dentro e por fora. Sempre podemos escrever também sobre sapatos convencionais, sobre musgos tibetanos, sobre biologia marinha; para dar significado à objetos. Inventa-se a invenção, inventa-se a existência, invetam-se os objetos e signos e aí está o mundo, todo sendo inventado. Especificamente, inventamos o lado de dentro e o lado de fora das coisas.
Falemos da maçaneta que está presa a porta. Precisa-se usá-la cada vez que aparece um portal cerrado. Para ser funcional, um lado está para fora, outro para dentro. Espiona os ares, a força da natureza, a moça que anda na rua, o automóvel com desainer moderno, um sem-fim de coisas dependendo de onde está. Espiona também um mundo quase sem sol, sem vento, aqui e ali, um olhar um pouco mais demorado nos sapatos convencionais de quem acaba de lhe apalpar para poder ter acesso ao lado de dentro. As donas maçanetas são fenomenais. Acabo de descobrir que caverna hoje em dia tem porta e a maçaneta está lá, para quem puder, quiser ou conseguir usar.
Falemos da maçaneta que está presa a porta. Precisa-se usá-la cada vez que aparece um portal cerrado. Para ser funcional, um lado está para fora, outro para dentro. Espiona os ares, a força da natureza, a moça que anda na rua, o automóvel com desainer moderno, um sem-fim de coisas dependendo de onde está. Espiona também um mundo quase sem sol, sem vento, aqui e ali, um olhar um pouco mais demorado nos sapatos convencionais de quem acaba de lhe apalpar para poder ter acesso ao lado de dentro. As donas maçanetas são fenomenais. Acabo de descobrir que caverna hoje em dia tem porta e a maçaneta está lá, para quem puder, quiser ou conseguir usar.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Férias
Galera, vou dar um sossego pro Cacto Lacto...
Daqui uns tempos ele volta, cheio de coisas pra contar. Valeu!
Daqui uns tempos ele volta, cheio de coisas pra contar. Valeu!
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Poemanto
I
penso
tenso
enquanto
janto
imenso
lenço
tanto
pranto
II
penso
tenso
enquanto
janto
imenso
lenço
tanto
pranto
quanto
(ps: Filho do Festival de Inverno de Antonina)
penso
tenso
enquanto
janto
imenso
lenço
tanto
pranto
II
penso
tenso
enquanto
janto
imenso
lenço
tanto
pranto
quanto
(ps: Filho do Festival de Inverno de Antonina)
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Porca Miséria
As olheiras profundas harmonizam o crachá preocupadamente plastificado. Em destaque a denominação: chefe. A barriga invarivelmente saliente; o fumo mais caro da indústria deixa sinal nos dedos médio e indicador. O pigarro vem seguido de um "veja bem: não podemos fazer nada, o negócio de vocês ainda tem que passar por dezenove setores antes do meu, estou de mãos atadas". Novo pigarro. E o estudante de pedinte vira mendigo e sai rindo solto da miséria instituída.
Assinar:
Postagens (Atom)