vi a moça amolecer o coração
pra não se tremer tanto os ossos
nem sufocar as raízes
quis viajar o sol por dentro,
desancorou o cavalo da lua
toda vez amoleceu,
entendeu estrelas
esperançou estradas
pedindo licença
ago, ago
tudo isso ela fez,
pra amanhecer e beijar o sol por dentro
pra anoitecer brincando a lua
4.1.16
minhocando II
a terra é feita de minhoca,
desconfio que também o milho e a mandioca.
uva e trigo, amendoim e caju.
os desvios se preenchem de sagrado:
um corpo de sangue-alma ancestral.
[recomposição de Ana Cordeiro]
desconfio que também o milho e a mandioca.
uva e trigo, amendoim e caju.
os desvios se preenchem de sagrado:
um corpo de sangue-alma ancestral.
[recomposição de Ana Cordeiro]
17.11.15
os senhores que furam o mundo
os corpo furado de bala estão despovoado.
os corpo que despovoaram furando os outros corpo de bala já tavam
furado de guerra.
os corpo que mandaram despovoar furando os outros corpo de bala
são os senhores que furam o mundo de guerra.
quando furam o mundo de guerra,
despovoam os corpos de alma
despovoam os corpos de alma
os senhores que furam o mundo de guerra
estão povoado de réis: pus que aniquila povo
6.11.15
minhocando
minhoca se disfarça de terra
se preenche de sagrado
milho e mandioca
amendoim e caju
um corpo de sangue ancestral
capaz de denunciar os desvios uva & trigo
se preenche de sagrado
milho e mandioca
amendoim e caju
um corpo de sangue ancestral
capaz de denunciar os desvios uva & trigo
andança
abre teu pé pro chão
tenta ver as conversa que tem guardada em cada trecho
cada passo é uma pronúncia
pronta pra confluir
pisa firme
pede trégua
e acalento
3.11.15
caçadora
estou sendo a fera que observa estrelas,
a selvagem poesia pendurada na altura da noite,
o caminho que vinga mato, o mistério da gramática das vacas,
a caçadora aprendendo a travessia.
20.10.15
martelo
há almas eletrochoque
há almas afeto
há almas diversas, evidente
mas as almas eletrochoque ainda não sabem disso
há almas afeto
há almas diversas, evidente
mas as almas eletrochoque ainda não sabem disso
19.10.15
terramoto
território instável
estou sísmica
por isso faço escritos,
descozinho as ideias
solto os bumerangues
no mato sem cachorro
olha pro chão, ouça bem
nas estrelas há um chão possível
mas a terra é a nossa mudernage
somos bicho buscando território pra passar essa noite,
somos esses bichos construindo almas em corpos de pólvora
somos a cria baleada pingando sangue
ouça bem, A TERRA É A NOSSA MUDERNAGE.
1.10.15
foRte.
de todas as minhas fomes,
construo alimento.
essa mulher é minha
é minha essa sangue
essa útero tinha que ser minha.
de quem mais seria?
de todas as minhas forças,
compartilho alimento.
compartilho alimento.
uma pão que eu não amasso
não é capaz de nutrir minhas buracos
minhas olhos, minhas bocas,
minhas patas evolucionárias
minhas patas evolucionárias
24.9.15
filha da terra
preta-branca-índia-véia
mora nela.
dos cachimbo dela, as fumacinha corre solta.
na janela do mundo dela.
das fulô que mora nela: cheiro de chuva.
das bataia que trava nela
vejo os fruto.
avoa fundo, índia véia
solta tuas fumaça, dá força pro musgo
agraúda essa fortaleza
traz água pra nóis
15.9.15
uma espécie de ouro incatalogável
no amontoado do mundo, cheinho de cacos e sonos,
encontrar criança com olhos de lua nova,
coração de cheiro solar,
dedos de terra cósmica,
orelhas de Saturno e atmosfera de infinito,
é como enxergar um dente-de-leão crescendo na barriga do vento,
encaracolando a boca do céu.
encaracolando a boca do céu.
4.9.15
enigma
dedicar seu tempo a ler as escrituras nos veios das árvores;
e observar ali sonolências profundas.
identificar despertares enigmáticos.
entender que os olhos das crianças estão sempre revolucionários.
e observar ali sonolências profundas.
identificar despertares enigmáticos.
entender que os olhos das crianças estão sempre revolucionários.
31.8.15
afluente
quando vi, o tempo tinha escorrido
ocupou todas as beiras, sem pressa me mostrando as suas unhas pintadas
suas cortinas velhas, a água, o vento - padrinho das sementes.
o tempo, afluente da caminhada.
ocupou todas as beiras, sem pressa me mostrando as suas unhas pintadas
suas cortinas velhas, a água, o vento - padrinho das sementes.
o tempo, afluente da caminhada.
26.8.15
grande serpente, avoe
junte seus dragões anacrônicos |
escamas, asas e garras na mesma figura
se Boitatá, defenda as matas
se Bernunça, renove o povo
| avoe e avise deus
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
substantivo masculino
1.
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
substantivo masculino
1.
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
25.8.15
8.8.15
seu eu tivesse um sonho os gigantolezes teriam me esmagado?
andava eu pelas ruas, descalça, notando o vento, querendo
saber dos poemas do mar, do encontro com o som do deus-montanha. encontrei
muitas fortunas-s-sentimentais, pauzinhos de amor-liberdade. encontrei na eira um vidrinho pequeni_ninho com uma história
dentro. não era escrita, falada, encenada, tele—viosio—nada, nada disso. vinha com
ele o inimaginado mundo.
isso não tem na
TELE__VISÃo.
então fui mais alto, olhei lá no fundo.
do mundo do vidrinho
tinham botões amalgamados.
dos que são misteriosos e pretensos às aptidões de
um CéuEstrelado. alguns quatro, outros dois furos. alguns Azuis, todo o resto
cor-de-triste. [desde pequena Tenho dúvidas Azuis que me dão dores de cabeça Amarelas].
aqui, e fui; pelo caminho da Coralina. tão miudinha, tão corajosa. peguei para mim o
vidro-SEDUtor sem entender bem o que tinha de história dentro -
daqueles botões – do vidro.
inimaginado-mundo, tão óbvio quanto circular. desmovimentei
ideias inimanoelas, inimanoeladas e entendi: apreendemos mais acordados. para
quase todo lugar que eu, o vidro ia junto. quase quase adjunto do meu Ser. e os
botões de costura lá, tentando me dizer algo. eu tivesse, como se eu tivesse.
em um sonho os botões poderiam se tornar gigantolezes e teriam me esmagado. seu
eu tivesse um sonho os gigantolezes teriam me esmagado? depende. quanto eles me
afetaram? talvez.
demorei um nanotempo, floresci de novo. é também bom folhas secas
caírem e voltarem ao ciclo. daí folhas verdes, verdeci. que então tal rasco
tinha passado o tempo, falando de um tempo que nem tinha mais. espaço de tempo.
é que tem mais: roubei o vidro que tinha
dentro o passado de alguém. ainda assim segui pisando nas barbas do mundo, querendo
ver a deusa-gafanhoto e os furaCÕES. mas lá intra tinha ainda o passado de
alguém, SEduTOR. sabia pouco se eu apegava aos botões. INDE_CISÃO. mas o que
eu faria com aquele passado alheio todo? jogo na prisão ou amarro numa
AsaDelta? tranco no porão ou Levo para a floresta?
e com o tempo [não o mesmo] você vê que poeira dançarina no sol é profundeza. e é de
graça. o coração vira Corassauro e ARCO- ÍRIS.
foi assim. entendi.
era bom que eu
mesminha soltasse aquele passVidRo. o passado que não era meu: devolvido.
em conjunto, agradecimentos. quanta coisa, quanta! e eu ainda não descobri nada
sobre o gigantolez.
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