3.6.13

trans II

o que eu escolho é a liberdade radical de ser quem se é, para assim poder com intensa verdade colocar meu espírito para real-li-za-ação. sei que algum ser sábi@, poeta, filósof@, ou tod@s ao mesmo tempo, ou qualquer coisa que @s valha já deve ter dito isto, mas nenhuma coisa me tira o sabor de ter chegado até aqui relendo-me e isso implica reler a tudo por que a tudo estou ligada.   


trans I

consideração a pessoas sábias que passaram, passam ou passarão e entrecruzarão meu caminho:
professor bom é que aquele que não se detém meramente ao ensino, mas que tem a habilidade de compartilhar.

20.5.13

[]

vim pra nada ------- caminho no inútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vago lume.

sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------

inutilidades -------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado

por que eu sou do tempo -----





27.4.13

21.4.13

abelhuda

menininho moreno. aquela criança também mostra desconfiança, bem ali, nos olhos. seu pequeno ser carrega um mistério que minha imaginação queixa não saber. sei que os olhos se encontraram e sem verbos conversamos ali alguma língua. olhos preto-graúdos de lá, castanho-teóricos de cá.

mapa-mundo

inspiro-me ao lembrar das conversas que tinha com um de meus amigos, inveterado contestador de tudo, nos tempos que eu era o meu passado. a palavra que não saía de nossas mentes, membranas,corações e espíritos: liberdade. o passado destemido - me jogava de montanhas pra depois alcançar o pára-quedas, em queda livre. mergulhava no rio pra depois ver se tinha crocodilo.
agora olho para o mapa-mundo. ele atrai minhas membranas. dissimulado. sabe de meu espírito. quer que eu galope em suas cordilheiras. quer eu encoste o dedo indicador no gelo. quer que eu deixe um fio de cabelo cair em outras terras.


12.3.13

sem fundo, mundo, mundo!


eu sou um saco sem fundo
mal caibo dentro do mundo. olho pra ele da janela do meu jardim.
na verdade é tudo mentira. mas ainda sou um saco sem fundo.
olhando pro mundo de dentro e respirando o mundo de fora.
na mentira é tudo verdade. estou um saco pela metade,
embora completo de ar e brisa, ainda assim, de coisas sem fim

6.7.11

coisas a se fazer

ir no museu uma vez por mês já que nessa cidade tem vários;
tomar chá todo dia por causa de problemas no rim;
durante o trabalho, no turno de seis horas por dia, pegar a bolinha cheia de saliências e atirar na parede;
comer pelo menos duas frutas ao dia. e diferentes;
catar clipes nas ruas e calçadas para um projeto secreto;
estudar horas ao dia, entre ir ao banheiro, comer e olhar pela janela;
adquirir uma bicicleta, melhor coisa a se fazer agora;
tirar férias imaginárias, fazer um empadão e namorar bastante;


28.12.10

Pra

morreu de, quando menos nem viu. os dedos das congelaram, repentina boa sorte estancou o que começava a jorrar, e nada mais viu até afinar a visão e então fechou os.
antes pensou em dias que chovem em dias que o sol pinga o sal da cara.
não queria ir mas foi.
dessa pra.

17.9.10

Clara evidência

sumo danoite, dodia, dashoras enfim. todas deixadas de ser vagas entre si; vagões estremecentes acordando num tempo em que se via que já era hora de seguir. adiante, sem passo avisando retrocesso, pernas dizendo sins. com bonitos ais, de maduros sopros, de ternuras caramelo-ouro. uma clarividência, um plim!

24.8.10

outra manhã

a baratinação matinal da escova não era tão frenética quanto ontem ou em outras vésperas. nada seria eu acho. o chique-chique mal tirou o gosto sujo de sono da boca. na mesa, já despejando a bebida mexeu na toalha velha e com furos. no mesmo instante, sem licença, o cheiro do café tomava-lhe as narinas. nos dedos muito alongados o ar de desengonço que seria percebido mesmo que não se movimentasse. a asa da xícara era engolida pelos deóides enquanto pegava a faca de cabo branco mas amarelo. coçava com o antebraço a testa umidecida; o calor fugia dos seus poros em forma de letra ó. depois da manteiga, dilacerou o pão com os dentes alvinhos. sentada na sua escrivaninha-mãe a refeição pareceu tola, não queria relamente ter posto aquilo pra dentro. mas seus gestos repetidos trocentos anos a fio ganhavam a perfeição de coisas milvezes esquematizadas dentro de si. acordar, comer, pensar, escrever, dormir. acordar. cuspir.

12.8.10

Bate sandália

Um filme a fez lembrar de uma valsa de 1930. Não pela trilha mas pelas cores desbotadas da fotografia antiga da película. a mistura de tons e formas e texturas a fez lembrar de coisas sutis e sem eventual apreço; ela guardaria também o gosto do sundae de ovomaltine que tomou numa tarde de abril; consigo sem intenção o copinho de plástico já sem o doce e no pé um três por quatro empenhoso. minutos contínuos arrastados num balancê do som da sandália na pedra, chacoalhando pedacinho por pedacinho do dia.

10.8.10

Cadê as notas que estavam aqui?

Quem mais seguia e catarolava com ela no caos, Quem mais com tais maneiras vagalumosas de enxergar o mar enverdecido, a sós com o céu? Ninguém mais sentiu vontade de sair arremedando o vento manso coregosto de araçá. Ninguém se atreveu a pisar em paralelepípedos gaguejantes, na areia fofa. Nem aquele cafuso tupiniquim, nem aquela branca azularada. Quem poderia se encorajar a piscar para o lado, escolher um dos mil e centos e dizer: vem cá, quer ver?! Nem o mais destro, nem a mais canhota, repetitivo, nem a mais anorexa invenção agora seria capaz de indagar as fileiras de olhares coletivos. Há um perigo em mente. Há um perigo e ninguém mais escapa de si mesmo.

9.8.10

Andança

Ando levemente nua e embriagada por onde somente eu quero andar. Foi o que decidi até o final-do-ano. Não vou conversar com muita gente até o final do ano. Só dou olhares a velhos amigos. Permaneço um pouco sem gelo e sem fogo dentro de mim, mas com anotações de geladeira mínimas sobre o universo e dando meu melhor bom dia ao porteiro. Bem assim, 'usando outra vez o sorriso de um menino que dorme com os sapatos novos'.
Só até quando o céu-paço-moita-vento-que-balança-xilindró-muié-a-saia-peteca-cão.

21.6.10

tem dias que não

tem dias que se tornam viver entre o doce e o amargo, sentir o sol acovardar-se bem na sua frente e perder o que surge depois da colina. é quando o tempo tortura as horas.

5.5.10

ser um bicho

ando de bicicleta. prefiro as cores. gosto de cerveja com amendoim e de me distrair olhando o sábado. janelas são boas bem abertas. converso com pássaros e coelhos sem ser muito alice. há anos não molho o pão no café e acredito que devo ficar longe de extintores de incêndio e de portas de emergência. mudo de penteado às vezes e é só.