parei de morrer sem estar morta
e beijei as folhas do chão como quem deságua pecados
e enfiei a mão na terra
foi lá que deixei o sangue das nossas luas
e os cheiros pra nos lembrar
que nós nunca mais vamos morrer
25.8.16
zumbido
há zumbidos de cigarra no galho da minha cabeça
o som que se pode ver
são outros olhos
esquecidos abertos
no azul da cortina pintada na nuca
o som que se pode ver
são outros olhos
esquecidos abertos
no azul da cortina pintada na nuca
11.7.16
((( o )))
o tempo muda o canteiro da nuvem enquanto as montanhas ouvem enquanto o vento espalha as ondas e os brinquedos da terra |o coração coroa o silêncio e espera| ainda vejo o braço calmo das águas, são nossas, são deusas que povoam a lua |e o silêncio é solidão| o broto do capim as aves as fulozinha | solidão não é assim, estar só| a voz vem da vida antiga das pedras
19.5.16
folia
carnaval não é carvão,
é negr@.
me entoa.
balança meus brincos astrais,
no brilho da noite
me lava.
é negr@.
me entoa.
balança meus brincos astrais,
no brilho da noite
me lava.
29.2.16
4.1.16
o sol por dentro
vi a moça amolecer o coração
pra não se tremer tanto os ossos
nem sufocar as raízes
quis viajar o sol por dentro,
desancorou o cavalo da lua
toda vez amoleceu,
entendeu estrelas
esperançou estradas
pedindo licença
ago, ago
tudo isso ela fez,
pra amanhecer e beijar o sol por dentro
pra anoitecer brincando a lua
pra não se tremer tanto os ossos
nem sufocar as raízes
quis viajar o sol por dentro,
desancorou o cavalo da lua
toda vez amoleceu,
entendeu estrelas
esperançou estradas
pedindo licença
ago, ago
tudo isso ela fez,
pra amanhecer e beijar o sol por dentro
pra anoitecer brincando a lua
minhocando II
a terra é feita de minhoca,
desconfio que também o milho e a mandioca.
uva e trigo, amendoim e caju.
os desvios se preenchem de sagrado:
um corpo de sangue-alma ancestral.
[recomposição de Ana Cordeiro]
desconfio que também o milho e a mandioca.
uva e trigo, amendoim e caju.
os desvios se preenchem de sagrado:
um corpo de sangue-alma ancestral.
[recomposição de Ana Cordeiro]
17.11.15
os senhores que furam o mundo
os corpo furado de bala estão despovoado.
os corpo que despovoaram furando os outros corpo de bala já tavam
furado de guerra.
os corpo que mandaram despovoar furando os outros corpo de bala
são os senhores que furam o mundo de guerra.
quando furam o mundo de guerra,
despovoam os corpos de alma
despovoam os corpos de alma
os senhores que furam o mundo de guerra
estão povoado de réis: pus que aniquila povo
6.11.15
minhocando
minhoca se disfarça de terra
se preenche de sagrado
milho e mandioca
amendoim e caju
um corpo de sangue ancestral
capaz de denunciar os desvios uva & trigo
se preenche de sagrado
milho e mandioca
amendoim e caju
um corpo de sangue ancestral
capaz de denunciar os desvios uva & trigo
andança
abre teu pé pro chão
tenta ver as conversa que tem guardada em cada trecho
cada passo é uma pronúncia
pronta pra confluir
pisa firme
pede trégua
e acalento
3.11.15
caçadora
estou sendo a fera que observa estrelas,
a selvagem poesia pendurada na altura da noite,
o caminho que vinga mato, o mistério da gramática das vacas,
a caçadora aprendendo a travessia.
20.10.15
martelo
há almas eletrochoque
há almas afeto
há almas diversas, evidente
mas as almas eletrochoque ainda não sabem disso
há almas afeto
há almas diversas, evidente
mas as almas eletrochoque ainda não sabem disso
19.10.15
terramoto
território instável
estou sísmica
por isso faço escritos,
descozinho as ideias
solto os bumerangues
no mato sem cachorro
olha pro chão, ouça bem
nas estrelas há um chão possível
mas a terra é a nossa mudernage
somos bicho buscando território pra passar essa noite,
somos esses bichos construindo almas em corpos de pólvora
somos a cria baleada pingando sangue
ouça bem, A TERRA É A NOSSA MUDERNAGE.
1.10.15
foRte.
de todas as minhas fomes,
construo alimento.
essa mulher é minha
é minha essa sangue
essa útero tinha que ser minha.
de quem mais seria?
de todas as minhas forças,
compartilho alimento.
compartilho alimento.
uma pão que eu não amasso
não é capaz de nutrir minhas buracos
minhas olhos, minhas bocas,
minhas patas evolucionárias
minhas patas evolucionárias
24.9.15
filha da terra
preta-branca-índia-véia
mora nela.
dos cachimbo dela, as fumacinha corre solta.
na janela do mundo dela.
das fulô que mora nela: cheiro de chuva.
das bataia que trava nela
vejo os fruto.
avoa fundo, índia véia
solta tuas fumaça, dá força pro musgo
agraúda essa fortaleza
traz água pra nóis
15.9.15
uma espécie de ouro incatalogável
no amontoado do mundo, cheinho de cacos e sonos,
encontrar criança com olhos de lua nova,
coração de cheiro solar,
dedos de terra cósmica,
orelhas de Saturno e atmosfera de infinito,
é como enxergar um dente-de-leão crescendo na barriga do vento,
encaracolando a boca do céu.
encaracolando a boca do céu.
4.9.15
enigma
dedicar seu tempo a ler as escrituras nos veios das árvores;
e observar ali sonolências profundas.
identificar despertares enigmáticos.
entender que os olhos das crianças estão sempre revolucionários.
e observar ali sonolências profundas.
identificar despertares enigmáticos.
entender que os olhos das crianças estão sempre revolucionários.
31.8.15
afluente
quando vi, o tempo tinha escorrido
ocupou todas as beiras, sem pressa me mostrando as suas unhas pintadas
suas cortinas velhas, a água, o vento - padrinho das sementes.
o tempo, afluente da caminhada.
ocupou todas as beiras, sem pressa me mostrando as suas unhas pintadas
suas cortinas velhas, a água, o vento - padrinho das sementes.
o tempo, afluente da caminhada.
26.8.15
grande serpente, avoe
junte seus dragões anacrônicos |
escamas, asas e garras na mesma figura
se Boitatá, defenda as matas
se Bernunça, renove o povo
| avoe e avise deus
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
substantivo masculino
1.
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
substantivo masculino
1.
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
Animal fabuloso que se representa com cauda de serpente, garras e asas.
2.
Pequeno réptil sáurio inofensivo.
3.
Antiga peça de artilharia.
4.
Soldado de cavalaria que também combate a pé.
5.
[Figurado]
Pessoa de mau .gênio.
6.
Mulher muito alta.
7.
Constelação boreal. (Com inicial maiúscula.)
8.
[Veterinária]
Catarata.
9.
[Heráldica]
Emblema ou insígnia em forma de dragão.
"dragões", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/drag%C3%B5es [consultado em 26-08-2015].
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