teu olhar pássaro me espreita,
espreme, expande, derrete
me verte,
líquida.
fluo.
26.11.14
14.11.14
coruja: serzinho-madeira
a luz da minha vida atravessou indefinitudes
e te achou na beira de um rio sem margens
no galope de gentis nevoeiros
no hálito do anoitecer
[coruja, líquens, camuflagem-pedra, serzinho-madeira.
e te achou na beira de um rio sem margens
no galope de gentis nevoeiros
no hálito do anoitecer
[coruja, líquens, camuflagem-pedra, serzinho-madeira.
3.11.14
águas do mundo
o sol morenou os olhos da sabiá. sinal do tempo pra cantadora cantá.
sinal das águas do mundo vem.
dentro do pingo da noite a laranjeira respira.
as estrelas se lambem de alegria.
vem de dentro.
24.10.14
1.10.14
meu coração encontrou o teu na curva mais doce da estrada.
meu coração encontrou o teu na curva mais doce da estrada.
daqui movemos nossos pés e mentes, mentes e espíritos - ainda que inevitavelmente separados - sintonizados e ligados por um fio mágico e encantado.
a vida agora nos potencializa. que seja assim.
que dure o tempo sábio, na curva mais doce e móvel da estrada.
[venha comigo beber água serenada.
30.9.14
hoje
o meu espanto aponta minha desconstrução.
partícula por partícula, caio-me.
transmuto, transformo. emudeço.
mover-se será sempre o próximo ato.
partícula por partícula, caio-me.
transmuto, transformo. emudeço.
mover-se será sempre o próximo ato.
5.9.14
eu me árvore.
salta-me pela boca, pela árvore do meu estômago, pelas folhas-orelhas,
um tipo de alegria e prosa.
um tipo de alegria e prosa.
tenho xilema e floema, entendo-me planta-bicho.
posso tocar em estrelas e atrás delas, transo-me com o todo.
ao redor e dentro,
uma.
ao redor e dentro,
uma.
20.8.14
in.
tenho um coração bobo.
dentro dele três palhacinhas azuis,
um raminho de flores miudinhas
e uma estradinha com nome de bolinho de chuva.
dentro dele três palhacinhas azuis,
um raminho de flores miudinhas
e uma estradinha com nome de bolinho de chuva.
18.8.14
sobre flutuar
feito perfume de manjericão, cheiro de madeira lascada. te quero por dentro de céus e peixes. pelo topo da luz do sol te quero. por dentro de mar e pássaros. pelo que já sei, flutuo.
4.8.14
latente
na rua há mais de mês.
atarantada observando os rios atarefados de água, rindo dos reis do futuro.
prestar atenção nos ritmos é assim bom.
aquietar pra ajeitar mesmos, diluir nuncas, examinar sempres.
percebe-se que as nuvens são a expressão latente do infinito.
efêmeros são os ecos do cachorro.
atarantada observando os rios atarefados de água, rindo dos reis do futuro.
prestar atenção nos ritmos é assim bom.
aquietar pra ajeitar mesmos, diluir nuncas, examinar sempres.
percebe-se que as nuvens são a expressão latente do infinito.
efêmeros são os ecos do cachorro.
25.7.14
quase
então se eu desabasse sobre a tua pele,
dali visse sem demora que serventia de explicação não chega à galope...
entre tanto, entretanto, estamos em estado de quase
sustentasse então que o que sinto de longe é
desde o osso os rumores do meu coração sobre o teu
- do teu sobre o meu -,
imaginando encontro atrás da porta do universo
aprendesse, portanto, não vacilar na espera
ainda assim acredito que tudo faz vez pra esticar o mundo
e nós dentro.
hora que é, sempre chega.
dali visse sem demora que serventia de explicação não chega à galope...
entre tanto, entretanto, estamos em estado de quase
sustentasse então que o que sinto de longe é
desde o osso os rumores do meu coração sobre o teu
- do teu sobre o meu -,
imaginando encontro atrás da porta do universo
aprendesse, portanto, não vacilar na espera
ainda assim acredito que tudo faz vez pra esticar o mundo
e nós dentro.
hora que é, sempre chega.
19.7.14
mês que vem é um mês que eu sempre tive.
quando os olhos perfuraram a fumaça da noite, quando as mãos sentiram o brilho da bruma, ela pode ver que estava lá novamente. a criança em chamas. fogo, ar, luz.
e também ágüinha.
algum quando se funde vira brasa e se vira carvão dá pra virar palavra escrita de negro na soleira. janela marronzinha, falada de pretume.
eu daqui tenho chão, pó, poeira. sorriso-me. lambuza.
e também ágüinha.
algum quando se funde vira brasa e se vira carvão dá pra virar palavra escrita de negro na soleira. janela marronzinha, falada de pretume.
eu daqui tenho chão, pó, poeira. sorriso-me. lambuza.
25.6.14
grã
esqueci da onde vem o céu de tanto botar olho no mar.
até que os dois viraram um coisinha só. e não se viu a tarde horizontar os véus.
isso pra eu lembrar que as sílabas são todas tortas
e que nós temos mania de amiudar os grãos.
28.5.14
terra solar vermelha
eu busco o mundo solareado porque ali eu caibo nele | piso no terreiro | sou eu e tambor | terrear é meu maior verbo | e pra tudo ficar mais nuance cocar é minha coroa | do mais simples, mais terno, mais essencial que se carece | quando o dia amanhece é ali que está a encantaria | abrir os olhos é uma ciência
16.5.14
alegria
esta tarde merece que um menino despenque suas nuvens,
que os pingos de sol e chuva contradigam o seu discurso,
que três arco íris urgentemente
se façam presentes.
comprovem assim sendo: a deprimência mora fora do dia,
na alegoria
a alegria é perenada.
14.5.14
noitinha
a noite enegrece o lado de cima do dia
e fica nesta parte o enguiço do ponteiro.
sim, pois então, deixa eu ir dizendo, a metrópole engole e nos vomita,
arrebenta o cultivo da lerdeza.
enfim, a noite é que é trapiche e cabe um mate.
ainda bem que tem guarani.
e fica nesta parte o enguiço do ponteiro.
sim, pois então, deixa eu ir dizendo, a metrópole engole e nos vomita,
arrebenta o cultivo da lerdeza.
enfim, a noite é que é trapiche e cabe um mate.
ainda bem que tem guarani.
13.5.14
criança antiga
hoje a tarde eu vi uma criança antiga,
dentro de sua época,
dentro do 13 de maio,
dentro do seu vestido azul.
aquela menininha ali: um cisco.
uma poeira cósmica também.
a criança antiga já foi ciranda. já esteve yorubá, guarany.
do alto do seu carrinho antigo ela já sabe que esta sociedade vai mal.
dentro de sua época,
dentro do 13 de maio,
dentro do seu vestido azul.
aquela menininha ali: um cisco.
uma poeira cósmica também.
a criança antiga já foi ciranda. já esteve yorubá, guarany.
do alto do seu carrinho antigo ela já sabe que esta sociedade vai mal.
7.5.14
4.5.14
minha jangada.
no meio de tanta água, um coração tostadinho.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.
2.5.14
maio.
o que há em nós que é, resiste.
residir é transitório. morada se faz no tempo.
a vida é tão relativa. tão súbita, sem sobrenome.
impermanência.
lá vem o mês de maio pisando minha horta com vento.
entre você e eu há tanto. há mais que o segredo mês passado. há séculos.
há coisa, há magma, mandala, açúcar,
e tem talvez uma pena,
uma caneta,
uma fotografia,
pode ter um riso profundo.
que esse mar transborde, se passe da minha janela
invada meus poros secos, traga cheiro e fagulhas.
meses de maio não são para ser no plural se a cada instante o novo alcança o verde.
e eu aqui, achando a cor amendoada triste.
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