na rua há mais de mês.
atarantada observando os rios atarefados de água, rindo dos reis do futuro.
prestar atenção nos ritmos é assim bom.
aquietar pra ajeitar mesmos, diluir nuncas, examinar sempres.
percebe-se que as nuvens são a expressão latente do infinito.
efêmeros são os ecos do cachorro.
4.8.14
25.7.14
quase
então se eu desabasse sobre a tua pele,
dali visse sem demora que serventia de explicação não chega à galope...
entre tanto, entretanto, estamos em estado de quase
sustentasse então que o que sinto de longe é
desde o osso os rumores do meu coração sobre o teu
- do teu sobre o meu -,
imaginando encontro atrás da porta do universo
aprendesse, portanto, não vacilar na espera
ainda assim acredito que tudo faz vez pra esticar o mundo
e nós dentro.
hora que é, sempre chega.
dali visse sem demora que serventia de explicação não chega à galope...
entre tanto, entretanto, estamos em estado de quase
sustentasse então que o que sinto de longe é
desde o osso os rumores do meu coração sobre o teu
- do teu sobre o meu -,
imaginando encontro atrás da porta do universo
aprendesse, portanto, não vacilar na espera
ainda assim acredito que tudo faz vez pra esticar o mundo
e nós dentro.
hora que é, sempre chega.
19.7.14
mês que vem é um mês que eu sempre tive.
quando os olhos perfuraram a fumaça da noite, quando as mãos sentiram o brilho da bruma, ela pode ver que estava lá novamente. a criança em chamas. fogo, ar, luz.
e também ágüinha.
algum quando se funde vira brasa e se vira carvão dá pra virar palavra escrita de negro na soleira. janela marronzinha, falada de pretume.
eu daqui tenho chão, pó, poeira. sorriso-me. lambuza.
e também ágüinha.
algum quando se funde vira brasa e se vira carvão dá pra virar palavra escrita de negro na soleira. janela marronzinha, falada de pretume.
eu daqui tenho chão, pó, poeira. sorriso-me. lambuza.
25.6.14
grã
esqueci da onde vem o céu de tanto botar olho no mar.
até que os dois viraram um coisinha só. e não se viu a tarde horizontar os véus.
isso pra eu lembrar que as sílabas são todas tortas
e que nós temos mania de amiudar os grãos.
28.5.14
terra solar vermelha
eu busco o mundo solareado porque ali eu caibo nele | piso no terreiro | sou eu e tambor | terrear é meu maior verbo | e pra tudo ficar mais nuance cocar é minha coroa | do mais simples, mais terno, mais essencial que se carece | quando o dia amanhece é ali que está a encantaria | abrir os olhos é uma ciência
16.5.14
alegria
esta tarde merece que um menino despenque suas nuvens,
que os pingos de sol e chuva contradigam o seu discurso,
que três arco íris urgentemente
se façam presentes.
comprovem assim sendo: a deprimência mora fora do dia,
na alegoria
a alegria é perenada.
14.5.14
noitinha
a noite enegrece o lado de cima do dia
e fica nesta parte o enguiço do ponteiro.
sim, pois então, deixa eu ir dizendo, a metrópole engole e nos vomita,
arrebenta o cultivo da lerdeza.
enfim, a noite é que é trapiche e cabe um mate.
ainda bem que tem guarani.
e fica nesta parte o enguiço do ponteiro.
sim, pois então, deixa eu ir dizendo, a metrópole engole e nos vomita,
arrebenta o cultivo da lerdeza.
enfim, a noite é que é trapiche e cabe um mate.
ainda bem que tem guarani.
13.5.14
criança antiga
hoje a tarde eu vi uma criança antiga,
dentro de sua época,
dentro do 13 de maio,
dentro do seu vestido azul.
aquela menininha ali: um cisco.
uma poeira cósmica também.
a criança antiga já foi ciranda. já esteve yorubá, guarany.
do alto do seu carrinho antigo ela já sabe que esta sociedade vai mal.
dentro de sua época,
dentro do 13 de maio,
dentro do seu vestido azul.
aquela menininha ali: um cisco.
uma poeira cósmica também.
a criança antiga já foi ciranda. já esteve yorubá, guarany.
do alto do seu carrinho antigo ela já sabe que esta sociedade vai mal.
7.5.14
4.5.14
minha jangada.
no meio de tanta água, um coração tostadinho.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.
2.5.14
maio.
o que há em nós que é, resiste.
residir é transitório. morada se faz no tempo.
a vida é tão relativa. tão súbita, sem sobrenome.
impermanência.
lá vem o mês de maio pisando minha horta com vento.
entre você e eu há tanto. há mais que o segredo mês passado. há séculos.
há coisa, há magma, mandala, açúcar,
e tem talvez uma pena,
uma caneta,
uma fotografia,
pode ter um riso profundo.
que esse mar transborde, se passe da minha janela
invada meus poros secos, traga cheiro e fagulhas.
meses de maio não são para ser no plural se a cada instante o novo alcança o verde.
e eu aqui, achando a cor amendoada triste.
30.3.14
3.7.13
cosmoético
não carrego um batom na minha bolsa porque tenho consciência do óbvio.
a bolsa me carrega.
a bolsa me carrega.
25.6.13
ilu-sonho
e a menina verde acordou de um ilu-sonho dizendo-se coisas pirlimpimpins ^
estou bem aqui, diante de meu passado. lendo-o em cada linha. docinho. escrevi sempre que pude, por que sempre queria dizer a mim mesma como estava naquele momento o meu agora. é como uma cascata de canjica com leite condensadinho e anis estrelado. para isso que serve então meu passado em registro escrito pra mim, conclui ela, para me dizer o que eu já estava me dizendo, só que fora da luz da consciência. agora vem a parte de lamber a colher. meu passado me diz "sim você está aí o tempo todo. cedeu a algumas pressões, mas te vejo no aqui e no agora, a cada respiração, a cada movimento. e a boca lambuzada.
estou bem aqui, diante de meu passado. lendo-o em cada linha. docinho. escrevi sempre que pude, por que sempre queria dizer a mim mesma como estava naquele momento o meu agora. é como uma cascata de canjica com leite condensadinho e anis estrelado. para isso que serve então meu passado em registro escrito pra mim, conclui ela, para me dizer o que eu já estava me dizendo, só que fora da luz da consciência. agora vem a parte de lamber a colher. meu passado me diz "sim você está aí o tempo todo. cedeu a algumas pressões, mas te vejo no aqui e no agora, a cada respiração, a cada movimento. e a boca lambuzada.
19.6.13
10.6.13
bichos humanos
a fêmea humana, esse bicho do sexo feminino, já saiu do lugar
e agora convida o macho humano, esse bicho do sexo masculino, para sair do lugar também
ela diz:
pra que tanto medo milenar?
vamos para o espaço
nele podemos degustar as dimensões
nele seremos por indefinições
e agora convida o macho humano, esse bicho do sexo masculino, para sair do lugar também
ela diz:
pra que tanto medo milenar?
vamos para o espaço
nele podemos degustar as dimensões
nele seremos por indefinições
3.6.13
réplica
vim pra tudo ------- caminho no sútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vasto lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
sutilidades-------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vasto lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
sutilidades-------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
trans II
o que eu escolho é a liberdade radical de ser quem se é,
para assim poder com intensa verdade colocar meu espírito para real-li-za-ação.
sei que algum ser sábi@, poeta, filósof@, ou tod@s ao mesmo tempo, ou qualquer coisa que @s valha já deve ter dito
isto, mas nenhuma coisa me tira o sabor de ter chegado até aqui relendo-me e
isso implica reler a tudo por que a tudo estou ligada.
trans I
consideração a pessoas sábias que passaram, passam ou passarão e entrecruzarão meu caminho:
professor bom é que aquele que não se detém meramente ao ensino, mas que tem a habilidade de compartilhar.
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