25.6.14

grã

esqueci da onde vem o céu de tanto botar olho no mar.
até que os dois viraram um coisinha só. e não se viu a tarde horizontar os véus.
isso pra eu lembrar que as sílabas são todas tortas
e que nós temos mania de amiudar os grãos.


28.5.14

terra solar vermelha

eu busco o mundo solareado porque ali eu caibo nele | piso no terreiro | sou eu e tambor | terrear é meu maior verbo | e pra tudo ficar mais nuance cocar é minha coroa | do mais simples, mais terno, mais essencial que se carece | quando o dia amanhece é ali que está a encantaria | abrir os olhos é uma ciência

16.5.14

alegria

esta tarde merece que um menino despenque suas nuvens,
                      que os pingos de sol e chuva contradigam o seu discurso,
 que três arco íris urgentemente se façam presentes.

                      comprovem assim sendo: a deprimência mora fora do dia, 
                                                             na alegoria 
                                                             a alegria é perenada.

14.5.14

noitinha

a noite enegrece o lado de cima do dia
e fica nesta parte o enguiço do ponteiro.
sim, pois então, deixa eu ir dizendo, a metrópole engole e nos vomita,
arrebenta o cultivo da lerdeza.

enfim, a noite é que é trapiche e cabe um mate.
ainda bem que tem guarani.

13.5.14

criança antiga

hoje a tarde eu vi uma criança antiga,
dentro de sua época,
dentro do 13 de maio,
dentro do seu vestido azul.

aquela menininha ali: um cisco.
uma poeira cósmica também.
a criança antiga já foi ciranda. já esteve yorubá, guarany.
do alto do seu carrinho antigo ela já sabe que esta sociedade vai mal.

7.5.14

o vento

apitei para o vento, sujeito solto, sem moldura. 
                                ele veio e o ar não se mexia.


4.5.14

minha jangada.

no meio de tanta água, um coração tostadinho.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.


2.5.14

maio.

o que há em nós que é, resiste. 
residir é transitório. morada se faz no tempo. 
a vida é tão relativa. tão súbita, sem sobrenome.
impermanência.

lá vem o mês de maio pisando minha horta com vento.
entre você e eu há tanto. há mais que o segredo mês passado. há séculos. 
há coisa, há magma, mandala, açúcar,  
 e tem talvez uma pena,
uma caneta, 
                  uma fotografia, 
pode ter um riso profundo. 

que esse mar transborde, se passe da minha janela
invada meus poros secos, traga cheiro e fagulhas.

 meses de maio não são para ser no plural se a cada instante o novo alcança o verde.
e eu aqui, achando a cor amendoada triste.

30.3.14

0

pra rasgar doismilequatorze já vieram gritos já vieram vazios.erupções do ão.-


3.7.13

cosmoético

não carrego um batom na minha bolsa porque tenho consciência do óbvio.
a bolsa me carrega.

25.6.13

ilu-sonho

e a menina verde acordou de um ilu-sonho dizendo-se coisas pirlimpimpins ^
estou bem aqui, diante de meu passado. lendo-o em cada linha. docinho. escrevi sempre que pude, por que sempre queria dizer a mim mesma como estava naquele momento o meu agora. é como uma cascata de canjica com leite condensadinho e anis estrelado. para isso que serve então meu passado em registro escrito pra mim, conclui ela, para me dizer o que eu já estava me dizendo, só que fora da luz da consciência. agora vem a parte de lamber a colher. meu passado me diz "sim você está aí o tempo todo. cedeu a algumas pressões, mas te vejo no aqui e no agora, a cada respiração, a cada movimento. e a boca lambuzada.


10.6.13

bichos humanos

a fêmea humana, esse bicho do sexo feminino, já saiu do lugar
e agora convida o macho humano, esse bicho do sexo masculino, para sair do lugar também

ela diz:
pra que tanto medo milenar?
vamos para o espaço
nele podemos degustar as dimensões
nele seremos por indefinições

a árvore, o tempo e o vento

a árvore cai as folhas.
me diz de si. e sabe do vento.

3.6.13

réplica

vim pra tudo ------- caminho no sútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vasto lume.

sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------


sutilidades-------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado


por que eu sou do tempo -----

trans II

o que eu escolho é a liberdade radical de ser quem se é, para assim poder com intensa verdade colocar meu espírito para real-li-za-ação. sei que algum ser sábi@, poeta, filósof@, ou tod@s ao mesmo tempo, ou qualquer coisa que @s valha já deve ter dito isto, mas nenhuma coisa me tira o sabor de ter chegado até aqui relendo-me e isso implica reler a tudo por que a tudo estou ligada.   


trans I

consideração a pessoas sábias que passaram, passam ou passarão e entrecruzarão meu caminho:
professor bom é que aquele que não se detém meramente ao ensino, mas que tem a habilidade de compartilhar.

20.5.13

[]

vim pra nada ------- caminho no inútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vago lume.

sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------

inutilidades -------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado

por que eu sou do tempo -----