no meio de tanta água, um coração tostadinho.
o barco feito à mão desvenda o rio, sabe do cardume aceso.
o bom: que do picumã, cinza, orvalho, tempo, brotam sutilezas cardíacas.
a dureza é o agora, derramando nevoeiros.
4.5.14
2.5.14
maio.
o que há em nós que é, resiste.
residir é transitório. morada se faz no tempo.
a vida é tão relativa. tão súbita, sem sobrenome.
impermanência.
lá vem o mês de maio pisando minha horta com vento.
entre você e eu há tanto. há mais que o segredo mês passado. há séculos.
há coisa, há magma, mandala, açúcar,
e tem talvez uma pena,
uma caneta,
uma fotografia,
pode ter um riso profundo.
que esse mar transborde, se passe da minha janela
invada meus poros secos, traga cheiro e fagulhas.
meses de maio não são para ser no plural se a cada instante o novo alcança o verde.
e eu aqui, achando a cor amendoada triste.
30.3.14
3.7.13
cosmoético
não carrego um batom na minha bolsa porque tenho consciência do óbvio.
a bolsa me carrega.
a bolsa me carrega.
25.6.13
ilu-sonho
e a menina verde acordou de um ilu-sonho dizendo-se coisas pirlimpimpins ^
estou bem aqui, diante de meu passado. lendo-o em cada linha. docinho. escrevi sempre que pude, por que sempre queria dizer a mim mesma como estava naquele momento o meu agora. é como uma cascata de canjica com leite condensadinho e anis estrelado. para isso que serve então meu passado em registro escrito pra mim, conclui ela, para me dizer o que eu já estava me dizendo, só que fora da luz da consciência. agora vem a parte de lamber a colher. meu passado me diz "sim você está aí o tempo todo. cedeu a algumas pressões, mas te vejo no aqui e no agora, a cada respiração, a cada movimento. e a boca lambuzada.
estou bem aqui, diante de meu passado. lendo-o em cada linha. docinho. escrevi sempre que pude, por que sempre queria dizer a mim mesma como estava naquele momento o meu agora. é como uma cascata de canjica com leite condensadinho e anis estrelado. para isso que serve então meu passado em registro escrito pra mim, conclui ela, para me dizer o que eu já estava me dizendo, só que fora da luz da consciência. agora vem a parte de lamber a colher. meu passado me diz "sim você está aí o tempo todo. cedeu a algumas pressões, mas te vejo no aqui e no agora, a cada respiração, a cada movimento. e a boca lambuzada.
19.6.13
10.6.13
bichos humanos
a fêmea humana, esse bicho do sexo feminino, já saiu do lugar
e agora convida o macho humano, esse bicho do sexo masculino, para sair do lugar também
ela diz:
pra que tanto medo milenar?
vamos para o espaço
nele podemos degustar as dimensões
nele seremos por indefinições
e agora convida o macho humano, esse bicho do sexo masculino, para sair do lugar também
ela diz:
pra que tanto medo milenar?
vamos para o espaço
nele podemos degustar as dimensões
nele seremos por indefinições
3.6.13
réplica
vim pra tudo ------- caminho no sútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vasto lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
sutilidades-------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vasto lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
sutilidades-------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
trans II
o que eu escolho é a liberdade radical de ser quem se é,
para assim poder com intensa verdade colocar meu espírito para real-li-za-ação.
sei que algum ser sábi@, poeta, filósof@, ou tod@s ao mesmo tempo, ou qualquer coisa que @s valha já deve ter dito
isto, mas nenhuma coisa me tira o sabor de ter chegado até aqui relendo-me e
isso implica reler a tudo por que a tudo estou ligada.
trans I
consideração a pessoas sábias que passaram, passam ou passarão e entrecruzarão meu caminho:
professor bom é que aquele que não se detém meramente ao ensino, mas que tem a habilidade de compartilhar.
22.5.13
20.5.13
[]
vim pra nada ------- caminho no inútil das significâncias
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vago lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
inutilidades -------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
pego a coisa ------- como se ela também soubesse que é assim ------- dada ao vago lume.
sei quando, sei como, sei por quê, sei pra quê, sei onde ------
inutilidades -------- mastigo samambaiais e corro no ar rosado
por que eu sou do tempo -----
7.5.13
27.4.13
rotas & manual técnico amoroso [atualizado]
aproprie-se da máquina. use-a para atrair o ser em questão. largue a máquina.
siricutique e sarandeie.
siricutique e sarandeie.
21.4.13
abelhuda
menininho moreno. aquela criança também mostra desconfiança, bem ali, nos olhos. seu pequeno ser carrega um mistério que minha imaginação queixa não saber. sei que os olhos se encontraram e sem verbos conversamos ali alguma língua. olhos preto-graúdos de lá, castanho-teóricos de cá.
mapa-mundo
inspiro-me ao lembrar das conversas que tinha com um de meus amigos, inveterado contestador de tudo, nos tempos que eu era o meu passado. a palavra que não saía de nossas mentes, membranas,corações e espíritos: liberdade. o passado destemido - me jogava de montanhas pra depois alcançar o pára-quedas, em queda livre. mergulhava no rio pra depois ver se tinha crocodilo.
agora olho para o mapa-mundo. ele atrai minhas membranas. dissimulado. sabe de meu espírito. quer que eu galope em suas cordilheiras. quer eu encoste o dedo indicador no gelo. quer que eu deixe um fio de cabelo cair em outras terras.
agora olho para o mapa-mundo. ele atrai minhas membranas. dissimulado. sabe de meu espírito. quer que eu galope em suas cordilheiras. quer eu encoste o dedo indicador no gelo. quer que eu deixe um fio de cabelo cair em outras terras.
12.3.13
sem fundo, mundo, mundo!
eu sou um saco sem fundo
mal caibo dentro do
mundo. olho pra ele da janela do meu jardim.
na verdade é tudo mentira. mas ainda sou um saco sem fundo.
olhando pro mundo de dentro e respirando o mundo de fora.
na mentira é tudo verdade. estou um saco pela metade,
embora completo de ar e brisa, ainda assim, de coisas sem
fim
17.9.12
6.7.11
coisas a se fazer
ir no museu uma vez por mês já que nessa cidade tem vários;
tomar chá todo dia por causa de problemas no rim;
durante o trabalho, no turno de seis horas por dia, pegar a bolinha cheia de saliências e atirar na parede;
comer pelo menos duas frutas ao dia. e diferentes;
catar clipes nas ruas e calçadas para um projeto secreto;
estudar horas ao dia, entre ir ao banheiro, comer e olhar pela janela;
adquirir uma bicicleta, melhor coisa a se fazer agora;
tirar férias imaginárias, fazer um empadão e namorar bastante;
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